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TUNGSTÊNIO

|2018|

 

LIVROS

POESIA PRA ENCHER A LAJE

|2016|

 

SÓ QUEM ENCHEU A LAJE VAI PODER TOMAR SOL, e a poesia, pra existir, tem que ser concreta. Afinal, depois de cheia, a laje vira lugar de festa e alegria. É também local de samba, sarau, e varal, onde as roupas e as pessoas se estendem.

Leitura leve para dias pesados, o livro POESIA PRA ENCHER A LAJE despeja em suas páginas a mais autêntica poesia concreta misturada nessa argamassa de palavras e formas. Sentimentos, cimento, cotidiano, brita, temas sociais, feito papo reto, no grito, no pé do ouvido. Sem acordos e normas, maltratando a gramática e jogando a culpa na licença poética.

LEIA
 

PROJETOS

Renan Inquérito tem um arsenal que foi colecionando em sua trajetória, objetos pessoais que se convertem em armas poéticas: seu microfone, seu megafone, sua caneta vermelha, seus livros, os pinos, as polaroides e os monóculos! Todos eles são munição para que suas rimas saiam das folhas e passem a habitar o mundo.

Agora ele nos apresenta a mais nova arma de sua coleção: “Bumerangue”, título de seu sétimo disco que vem para celebrar os 20 anos de carreira e será lançado como um bumerangue: no ar, no tempo, trazendo de volta músicas “perdidas” em discos anteriores. São releituras de sons antigos com novas participações e sonoridades, experimentações que ainda renderam espaço para canções inéditas que também estarão no álbum realizando velhos desejos musicais e surpresas que serão reveladas mês a mês neste ano de 2019.

BUMERANGUE

 

AGENDA

 

BIO

“Se a história é nossa deixa que nóis escreve” 

(INQUÉRITO, Renan)

 

Foi numa rádio comunitária na década de 90, que Renan Inquérito, ainda adolescente, iniciou sua carreira e sua relação com a palavra. Entre os discos de vinil, os beats secos e as letras ásperas do rap que ele rolava como DJ, testemunhava o estabelecimento da cultura Hip-hop no Brasil e iniciava sua trajetória artística envolvida com esse movimento que, anos mais tarde, viria se consolidar como expressão de resistência e voz da periferia. 

 

Essa voz se mistura a própria voz de Renan que rabiscava suas primeiras rimas parodiando as letras contundentes do álbum “Sobrevivendo no Inferno” do Racionais MC’s. O disco caiu no vestibular da UNICAMP em 2018, mas duas décadas antes já havia caído nas mãos do adolescente de 13 anos, que sacou rapidamente que, pra quem era da periferia, se tratava de uma obra obrigatória. A partir desse momento, começava a trilhar um caminho carregando a palavra para onde quer que fosse, Renan trocava então as pickup’s pelo microfone e se tornava MC. 

 

Em 1999, ele batiza seu grupo de rap de Inquérito. Objetivo e certeiro, o jovem moleque, queria um nome que fosse forte o suficiente para carregar sua mensagem. Mal sabia ele que, tempos mais tarde, esse nome teria força para batizar a si próprio, hoje Renan é INQUÉRITO, Renan. E é assim que assina seus livros, textos e publicações. 

 

A palavra escolhida pelo rapper, dá o tom à sua produção pois inquirir, quer dizer indagar, questionar, confrontar e apurar a verdade. Isso é a essência de Inquérito, o MC não se cansa de praticar o que o latim define para o seu nome,“quaeritare", andar sempre em busca, buscar por muito tempo. Assim, sua vida é um exercício constante de indagar a palavra, confrontar seus sentidos, questionar seus modos de manifestação e investigar todas as suas faces.

 

Com seis discos lançados Mais Loco que u Barato (2005), Um Segundo é Pouco (2008), Mudança (2010), Corpo e Alma (2014), Corpo e Alma REMIX (2016) e Tungstênio (2018), Inquérito tem uma carreira musical consolidada e parcerias com importantes artistas nacionais e internacionais. 

 

Essa intimidade com a palavra também aparece na sua produção como escritor e dá vazão à sua face literária, que é profunda e contundente. Em suas obras, o poeta Inquérito compreende que a palavra que habita a página tem um poder diferente, seja em seu livro de estreia, onde apresenta a literatura marginal e periférica em #PoucasPalavras (2011); ou quando flerta com a poesia concreta, a qual ele mesmo chama de Poesia Pra Encher a Laje (2016) pois “só quem encheu a laje vai poder tomar sol”  e, ainda, quando faz a palavra transitar de um espetáculo para dentro de um livro, como é o caso de Literatura Ostentação (2016) que realizou em parceria com os artistas Luiza Romão e Daniel Minchoni. Ainda participou de diversas antologias nacionais e internacionais publicadas no Brasil, Argentina, México e Chile.

 

A palavra cantada no rap e a palavra na página do livro, ainda não são suficientes para manifestar todas as possibilidades que ele vê na palavra. Ele passa a enxergar nela o poder da fala. Para Renan a fala é o acontecimento. É aqui e agora. Em qualquer lugar. Por isso, Inquérito espalha sua palavra para onde vai, e mais do que isso, dá o lugar de fala para quem quiser. Assim é a Parada Poética, um sarau que começou pequeno, numa segunda-feira a noite num bar de Nova Odessa-SP em 2013 e foi ficando maior até ocupar a estação ferroviária da cidade. Uma vez por mês, a parada do trem se enche de "poesia de primeira, numa noite de segunda”, bordão criado pelo artista que convida escritores e o público para se apropriar do seu microfone e “Maltratar a gramática e jogar a culpa na licença poética”, como ele mesmo diz. 

 

No final de 2018, a Parada Poética, prestes a comemorar seis anos de existência, ganhou uma antologia e um documentário intitulados A Parada Não Para, a publicação compila uma seleção de poemas de diversos escritores e do público participante do evento e o documentário passeia pela Parada Poética por meio de depoimentos de frequentadores, escritores e realizadores. Além da Parada, Inquérito realiza saraus e oficinas literárias nos locais mais diferentes possíveis, seja numa escola, na Fundação Casa, num Festival Literário e em eventos de naturezas diversas. A palavra falada para Renan, se consolida então como um espaço democrático de manifestação.

 

E não para por aí, o rapper se tornou professor. Formado em Geografia pela UNICAMP,  mestre pela mesma universidade e doutor pela UNESP. O MC faz da palavra um instrumento de educação, leva para a sala de aula sua história e transforma a aula numa experiência poética. Sua produção acadêmica não abandona sua experiência de vida, ao contrário disso, a leva para dentro dos muros do conhecimento letrado, criando pontes entre o saber instituído e a cultura popular de resistência. 

 

Nesse universo, estabeleceu algumas parcerias importantes incluindo o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, com quem escreveu o roteiro do espetáculo Ópera Rap Global (2013) e também participou do livro Na Oficina do Sociólogo Artesão (2019), em capítulo que compila letras de rap escritas a partir das teorias desenvolvidas pelo sociólogo. 

 

Essa natureza inquieta de Inquérito faz revelar todas as faces do artista. Renan se tornou um mago da palavra, pois a manipula com maestria, seja nas letras de suas músicas, nas rimas de seus poemas ou na força de sua voz. O que interessa a ele é a palavra enquanto entidade viva, dotada de poder de manifestação. A palavra para Renan não é substantivo, ela é verbo e se mistura com sua vida.

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